Dastjerdi: primeira mulher ministra no Irã em trinta anos
O direito ao voto só foi concedido às mulheres iranianas em 1963. Cinco anos depois, Fahroku Parsa foi nomeada Ministra da Educação pelo xá Pahlavi. Não durou muito. Em 1979, a Revolução Iraniana veio e Parsa foi executada. Segundo os revolucionários, ela ‘corrompia garotas‘.
Hoje, trinta anos depois, Marzieh Vahid Dastjerdi se tornou a primeira mulher a ocupar uma pasta ministerial no Irã após a Revolução. Entre os 286 deputados presentes na votação, 175 votaram a favor, 82, contra, e 29, em branco. A notícia é pra ser comemorada, mas o fato de as outras duas candidatas indicadas pelo presidente Ahmadinejad – Sousan Keshavarz, para o gabinete de Educação; e Fatermeh Ajorlou, para o Bem-estar Social – não terem sido eleitas ainda deixam um gosto amargo.
Além disso, como era de se esperar, choveram pérolas sexistas. Dastjerdi discursou em defesa de uma maior participação das mulheres no governo, chamando a atenção para o fato de que “entre 60% e 70%” dos universitários iranianos são mulheres e pedindo para os iranianos mostrarem ao mundo que respeitam as mulheres. A resposta veio logo. Ahmadi Khatami, aiatolá conservador, disse que “o Islã respeita a mulher. Mas isto não quer dizer que devamos deixar posições sociais importantes para elas.”
Ahmadinejad, ele mesmo um conservador, vinha sendo criticado desde que propos as três mulheres para o governo. O primeiro encontro encontro de Dastjerdi com o presidente iraniano já como ministra deve acontecer no próximo domingo.