De feministas de direita a amélias pitbull
Uma das coisas que aprendi sobre o movimento feminista é que ele vai além da oposição direita-esquerda. A história do movimento feminista brasileiro é feita por mulheres dos mais diversos partidos políticos, e vai além disso. Afinal, machismo não escolhe ideologia política ou econômica.
É por isso que não me espanto ao ver elogios à dra. Ruth Cardoso, ou à dra. Eva Blay, entre outras feministas tucanas. Nos tempos dos tucanos no poder, foram elas quem lutaram para que os direitos das mulheres não fossem reduzidos. E, por mais que a atuação delas possa ser considerada discreta, ela existiu e fez a diferença para todas nós.
Infelizmente, a independência e força das feministas de direita acabou. As mulheres de direita em destaque hoje representam um retrocesso no papel das mulheres. O Mobiliza Mulher fez um papelão nesta campanha, Monica Serra escolheu agir de forma constrangedora para apoiar a campanha do marido, e as reuniões de mulheres do PSDB são para serem ouvintes dos homens.
Atenta a essas mudanças de posicionamento, Cynara Menezes escreveu um artigo muito bom para a Carta Capital analisando o papel desempenhado por Monica Serra e Weslian Roriz nestas eleições:
Dona Ruth foi de longe a mais completa das primeiras-damas, mas ainda assim era primeira-dama, não presidente. E vejam só. Agora que se desenha a possibilidade de termos finalmente uma mulher no cargo máximo da Nação, e não um apêndice – admirável ou não -, eis que duas integrantes do sexo feminino saem da sombra onde se achavam para colocar as brasileiras “no seu devido lugar”, com a mensagem subliminar de que não nascemos para presidir, e sim para sermos eternamente primeiras-damas. No máximo, vice-presidentes, cargo que Rita Camata topou ocupar ao lado de José Serra em 2002. Presidente, não. Se ser primeira-dama é tão bom, toda a glória e nenhum poder…
Leia o artigo completo: O levante das Amélias pitbull
Em minha opinião falar de feministas de direita é uma autentica logomaquia – uma contradição entre os dois termos – porque o feminismo é revolucionário não é conservador e a direita por definição é conservadora. Claro que ser de esquerda, sobretudo se se for homem, ajuda, mas não garante sinpatia com o movimento, porque anda por aí muita gente que politicamente é de esquerda mas que é socialmente conservadora e até reaccionária.
Por outro lado nutro as mais fundadas dúvidas sobre as «feministas» que são a favor de políticas de criminalização do aborto porque essas parecem não dar grande relevo à liberdade, autonomia e sentido de responsabilidade das mulheres, a não ser da boca para fora porque na prática quando os problemas dificeis se colocam sacodem a agua do capote em nome do retórico direito à vida do feto em detrimento da vida da mulher. As «feministas» brasileiras de direita seguem os passos de norte-americanas como Sara Palin que é contra o recurso ao aborto mesmo em caso de violação não tendo qualquer prurido em condenar uma jovem mulher a aceitar essa gravidez como um destino e uma fatalidade.