Dois vídeos sexistas
Neste vídeo de marchinha de carnaval sobre Dilma Rousseff, ela é apresentada como “a coroa” e chamada de “Dilminha”. Ela é mais jovem que Lula, e tem de suportar ser chamada por uma gíria destinada a pessoas mais velhas. Políticos homens parecem não ter idade; já as mulheres são apresentadas e julgadas o tempo todo com base em sua idade e aparência. Além disso, ao usar o nome de Dilma no diminutivo, é reforçada a ideia de que mulheres precisam, antes de tudo, serem infantilizadas para serem aceitas socialmente; não se trata de um diminutivo carinhoso, mas de uma forma sutil de colocá-la em um lugar subalterno.
Ao final deste vídeo, José Serra perde completamente a postura esperada para um político e governador de estado ao “cantar” a repórter, desrespeitando tudo o que a educação, o bom senso e a igualdade de gênero recomendam quanto à forma de tratar a beleza feminina em público.
Faço aqui a transcrição da falta de compostura, mas o ideal é ir direto ao vídeo para ver o quanto a situação foi patética:
Repórter: governador, o sonho de todo paulistano é ver o Tietê limpo. Queremos saber quando que a gente vai ver as águas do Tietê limpinhas.
José Serra: eu não diria que um dia o Tietê vai ficar como os olhos dela.. de… bonitos de, de cor. mas…
Datena: lobo não perde o pêlo, né, governador? Lobo não perde o pêlo…
José Serra: mas eu acho que merece esse elogio, sem dúvida nenhuma.
concordo com as observações, exceto quanto ao uso do diminutivo, já que não apenas o nome de Dilma, mas também o de Lula foi colocado no diminutivo. Acho, sim, que nesse caso o sufixo foi utilizado para sugerir uma referência carinhosa.
Então, não sei se concordo muito com o lance da Marchinha. Porque marchinha de carnaval é meio infatilizada mesmo, ué. E jocoza, sobretudo. E acho que o coroa é mais pra fazer oposição ao “cara”. Não foi atribuído um juízo de valor negativo ao fato de ser coroa, que isoladamente, só significa que ela é não é jovem, o que não é mesmo. Enfim, acho que brincadeiras são nocivas quando são uma maneira de diminuir as pessoas, e não acho que absoluto que a Dilma tenha sido inferiorizada aí. Mas concordo que a oposição jovem/velha é muito mais pesada entre as mulheres, o “coroa” como símbolo da mulher não desejável. Só não acho que foi a intenção do vídeo aí…
Bom, o Serra, sem comentários.
Oi. Vim só sugerir o texto “Mulheres e reforma política”, que vi no blog da Cida Diogo e tinha sido originalmente publicado aqui:
http://www.clam.org.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=6550&sid=7
O autor faz uma análise da possibilidade de diminuir um pouquinho que seja a sub-representação feminina no Congresso com a obrigação de 30% de candidatas nas listas dos partidos, e apesar de outros pontos cruciais para resolver esse problema não terem sido sequer tocados na minirreforma.
Na marchinha não vejo nenhum problema. Foi força da criatividade para mostrar que é o outro lado do lula. Há essa dicotomia do sexo, não adianta, a maior semelhança do lula e da dilam é serem do mesmo partido (moeda), e a maior diferença são seus sexos (lado). E ponto.
Abraço.